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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Intensamente livre...

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Intensamente livre o homem dirige-se para a praia mais pequena que
ele
leva na mão um mapa-múndi azul é a custo que desce as dunas mais
pequenas que ele
e sem ninguém que ateste a visibilidade radiogoniométrica destes
seres
o homem perfura o poço mais pequeno que ele
abrindo o leão de costas que há no fundo do poço
o doce leão alado muito limpo que há no fundo do poço


Como ver este homem o seu dorso a sua cabeleira
correria nocturna ao longo de um túnel em transe
onde será verdade onde é rosa iris
que este homem sobrevive
sob o seu talhe mais pequeno que ele
sob o seu pedestal a sua obscura força militar
e o seu porte essa porta essa maçã
de vinagre
essa locomotiva feita armada pronta para surgir
arrastando uma época de calendários
cheia não só de estradas mas de signos de estradas
estrada-dedal estrada-violino corpo-estrada de rei RapAz de
Estrada
Há muito vou com ele por caminho livre
quem cessará primeiro? ele? o caminho?


Este homem que apenas nasceu- este homem
sem lágrimas
voltou-se! é prodigioso o espaço que arde na sua sombra
face árida lisa para o incêndio com as mãos.


Mário Cesariny
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os Lagartos





O lagarto está chorando
A lagarta está chorando
O lagarto e a lagarta
Com aventaizinhos brancos
Hão perdido sem querer
Seu anel de casamento
Ai! Seu anelzinho de chumbo,
Ai, seu anelzinho chumbado
Um céu grande e sem gente
Monta em seu globo aos pássaros
O sol, capitão redondo
Leva um colete de raso
Olhem que velhos são!
Que velhos são os lagartos!

Ai como choram e choram,
Ai! Ai! Como estão chorando!

Federico Garcia Lorca