quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mário Botas




“Seldom we find” says Solomon Don Dance
“Half an idea in the profoundest sonnet”
E.A.Poe


A fisionomia, o carinho das coisas impalpáveis,
o balbuciar, todo em amarelo, dos limões...
Cintura na pedra,
correio subtil de Lesbos para Marte.


Antinous visitou-me. Deixou a casa desarrumada
e um projecto em mim demasiadamente longo.
No frágil da memória eu durmo e sou eu
deuses de papelão sentando-se a meu lado.


No leito fluvial por onde dorme o cisne
chamam por mim os outros príncipes. Todos
irmãos.


Escuridão nova na velha escuridão,
efeito de luz nas janelas do poema...
O meu cão dorme. He is a poet, isn’t he?

Mário Botas

terça-feira, 25 de maio de 2010

Canções tradicionais portuguesas

LIRA
(Ilha Terceira)

Morte que mataste lira
Morte que mataste lira
Mata-me a mim que sou teu

Mata-me com os mesmos ferros
Mata-me com os mesmos ferros
Com que a lira morreu

Da aldeia veio um pastor
Da aldeia veio um pastor
À minha porta bateu

Veio-me dar por notícia
Veio-me dar por notícia
Que a minha lira morreu

domingo, 23 de maio de 2010

Canções tradicionais portuguesas

 DESANDA A RODA
(Alto Alentejo)




Desanda, desanda a roda
Desanda para casar(e)
É quero escolher na roda
O par que mais me agradar


O par que mais m'agradar(e)
(E) o par que melhor me for(e)
Desanda, desanda a roda
Vai escolher o tê amor(e)


Mas ê nã te quero a ti
Nem a ti nem a ninguém
Mas sempre me resolvi
Ó meu adorado bem


Ó meu amor, meu amor
Ensina-me a tua arte
Ensina-me a aborrecer-te
Que eu não sei senão amar-te

sábado, 22 de maio de 2010

Canções tradicionais portuguesas

CRAVO ROXO
(Beira Baixa)

Cravo roxo à janela
É sinal de casamento
menina recolha o cravo, ó ai
Que o casar aida tem tempo

Cravo roxo ama ama
Ó jasmim adora adora
Rosa branca brumelhinha, ó ai
Se tens pena chora chora

La ri ra...

Cravo roxo sentimento
Que eu bem sentida estou
Por amar quem me não ama, ó ai
Querer bem a quem me deixou

Tenho à minha janela
O que tu não tens à tua
Cravo roxo salpicado, ó ai
Que dá cheiro a toda a rua

La ri ra...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

CANÇÕES TRADICIONAIS PORTUGUESAS

PÉZINHO
(Ilha Terceira)

Teu delicado pézinho
Quando toca no caminho
Logo toca o meu também (bis)

Depois vamos conversando
Nossos pézinhos rodando
Mais felizes que ninguém

Esse pé que Deus te deu
Dev estar ao pé do meu
Mas durante a vida inteira (bis)

O meu pé não se acomoda
Quer ir com o teu à roda
De toda a Ilha Terceira (bis)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Canções tradicionais portuguesas

SAUDADE
(Ilha do Pico)


A saudade é um luto
Uma dor, uma aflição
Ai, é um cortinado roxo
Saudade que me cobre o coração

Vira e volta a saudade (bis)
Ai vira e volta a saudade
Saudade
Para os lados do meu peito

Pus-me a chorar saudade
Ao portal do meu jardim
Uma moça me respondeu:
-Saudades, elas não morrem assim

Vira e volta a saudade (bis)
Ai vira e volta a saudade
Saudade
para os lados do meu peito

Amanhã parte um navio
Amanhã é que eu me vou
Ai as saudades que eu levo
São da mãe, são da mãe que me criou

Vira e volta a saudade (bis)
Ai vira e volta a saudade
Saudade
para os lados do meu peito

Não cabe um amor tão grande
Num palácio tão estreito
Ai não cabe um amor tão grande
Saudade, num palácio tão estreito.