quinta-feira, 1 de junho de 2017

W.C.

Neste país onde ninguém sabe
como obram as musas,
já dizia o outro,
fazer versos realmente versos,
que sigam o espasmo do ânus provecto
dessas criaturas fúteis, decantadas,
ainda é e será muito difícil.

Existe sempre um braço etéreo
que puxa o autoclismo
no momento exacto da defecação.
Ouve-se um ruído,
alguém pergunta ao outro o que se passa:
«É o som das águas que bate na garganta.»
Aliviados então os corações repousam
na sala de visitas da casa devassada
a que chamam d'alma.

Armando Silva Carvalho, in 'Sentimento de um Acidental'

Morreu o poeta Armando Silva Carvalho

O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho morreu hoje de manhã, nas instalações da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, vítima de doença prolongada, anunciou, em comunicado, a Porto Editora.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Curiosidades sobre a pintura “Figura na janela _ Salvador Dali

“Figura na janela”_ 1925 _ óleo sobre tela _ 103 x 75 cm
Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha
Curiosidades sobre a pintura “Figura na janela” de Salvador Dali

Esta pintura de Salvador Dali, intitulada “Figura na janela”, tem interesse, por se tratar de uma das poucas obras de Dali, executada, segundo o cânone da escola e do estilo do movimento realista. Como se sabe, Dali ganhou uma enorme celebridade e um justo reconhecimento internacional com as suas arrojadas pinturas surrealistas, que não deixam ninguém indiferente. Ele levou a pintura ao limite da loucura, com a sua imaginação delirante, quase febril. São recorrentes, na sua pintura, os cenários fantasmagóricos e dantescos – autênticos pesadelos – que impressionam.
A mulher, retratada de costas, numa posição descontraída, é a irmã de Dali, Ana Maria Dali, que lhe serviu de modelo em algumas das suas obras.
A propósito desta pintura, reproduzo aqui o apontamento de um internauta,  LuDiasBH, que nos ensina a ver as suas significativas particularidades.
“No quadro, tudo denota movimento: os vincos nas cortinas feitos pelo vento,  assim como os ondulados do vestido da moça, os cachos de seus cabelos, a toalha branca no parapeito da janela e o mar encapelado. Ao fundo está o povoado, que se faz presente através de seu reflexo no vidro da janela aberta para dentro da casa, à direita.  Um barquinho à vela singra o mar, próximo ao povoado”.
Alexandre de Castro
2017 05 10
Este artigo encontra-se em: Alpendre da Lua http://bit.ly/2q6lBtj