domingo, 18 de janeiro de 2026

 POESIA PERSA (IRÃO)
«Um dos grandes marcos culturais e linguísticos na história do Irão é o Shahnameh (completado em 1010), um poema épico que relata os mitos fundadores do país, sendo a primeira grande obra escrita em persa moderno. Desde então, a poesia assumiu um papel central dentro do Irão e outros países falantes de persa (como o Tajiquistão, o Uzbequistão e o Afeganistão). Muitos governantes abrigavam poetas em suas cortes, financiando-os. Os panegíricos que esses poetas escreviam, denominados qasida, deram origem ao gazal, que tem natureza mais amorosa e erótica. O robāʿi, caracterizado por seu caráter epigramático e filosófico, é outra forma de imensa importância.

Eis aqui um gazel feito por Manuel Bandeira em louvor de Hafiz:

"Escuta o gazal que fiz,
Darling, em louvor de Hafiz:

– Poeta de Chiraz, teu verso
Tuas mágoas e a minha diz,

Pois no mistério do mundo
Também me sinto infeliz.

Falaste: "Amarei constante
Aquela que não me quis."

E as filhas de Samarcanda,
Cameleiros e sufís

Ainda repetem os cantos
Em que choras e sorrís.

As bem-amadas ingratas,
São pó: tu, vives, Hafiz!"

Além de gazéis, Hafiz escreveu methnevi (palavra que significa "duplicado": nesse tipo de poesia os versos são de rimas duplas); numerosos kite (fragmentos) – poemas religiosos, amorosos ou báquicos; e rubáiyát (quartetos).

Todas essas produções foram recolhidas no Divã (coletânea), após a morte do poeta, por seu amigo Mohammed Gulandam.

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