George Frederic Watts 1817-1904 ("Hope", 1886), Tate Gallery (Britain)
EXPERIMENTALIDADES
terça-feira, 13 de outubro de 2026
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Escritora canadiana Anne Carson vence Prémio Nobel da Literatura
O Nobel que distingue autores pelo conjunto da sua obra literária com elevado valor e contributo para a humanidade foi atribuído à poeta, ensaísta, tradutora e professora universitária de 76 anos.
O Prémio Nobel da Literatura de 2026 foi atribuído esta quinta-feira à canadiana Anne Carson pela "obra ousada e criativa que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea".
Anne Carson nasceu a 1950 em Toronto. É poeta, ensaísta, tradutora e professora universitária, especialista em Literatura Clássica. Publicou em 1986 o seu primeiro livro, "Eros the Bittersweet“ (”Eros, o Amargo e Doce"), obra nomeada como um dos 100 melhores livros de não-ficção de todos os tempos pela Biblioteca Moderna, e ao longo da sua carreira conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução.
A secretária permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg, que falou ao telefone com a escritora, disse que Anne Carson foi "apanhada de surpresa" pela notícia e que se mostrou muito feliz.
"Quase toda a sua produção literária tem-se centrado na interseção entre a obsessão da filóloga pelas palavras e o desejo da poeta por novos significados. Ela própria identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra", destaca a Academia sueca. “As suas traduções do grego clássico podem ser consideradas obras independentes por direito próprio.”
Estão publicadas em Portugal várias das suas obras, incluindo "Homens nas Horas Vagas"; "Autobiografia do Vermelho"; "Águalisa"; "Vidro, Ironia e Deus"; "A Beleza do Marido"; "Eros, o Amargo e Doce" e "Antigotriz".
Anne Carson foi também a primeira escritora a ganhar o T. S. Eliot Prize e o Griffin Poetry Prize, e recebeu em 2020 o Prémio Princesa das Astúrias das Letras.
É a 19.ª mulher a vencer o prémio Nobel da Literatura, num ano em que a escritora portuguesa Lídia Jorge estava entre os nomes apontados pelas casas de apostas para vencer.
Portugal venceu o Nobel da Literatura apenas uma vez. Em 1998, José Saramago recebeu o prémio pela sua obra, tornando-se também o único escritor de língua portuguesa distinguido pela Academia Sueca.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Edward Hopper e Henri Cartier-Bresson
Henri Cartier-Bresson (o artista da obra fotográfica) foi pintor antes de ser fotógrafo e é quase certo que conhecia o artista Edward Hopper e soube ver naquele instante, quando a sua mulher estava inclinada para fora da janela, as semelhanças de luz, sombras e mobiliário com os capturados pelo pintor em 1926.
As duas fotografias estão separadas por 60 anos, mas ao contemplá-las a sensação e as vibrações que transmitem de solidão e reflexão são praticamente as mesmas.
in Totenarte blog

sexta-feira, 18 de setembro de 2026
in Ensaios e Notas. blog.
A Grande Onda de Kanagawa
Vemos a genialidade artística quando uma obra-prima é singela ao ponto de transcender a sua época. A Grande Onda de Kanagawa é uma obra que capta o atemporal. Seu impacto e estética a faz uma das ilustrações mais reproduzidas no mundo.

Uma obra do lendário mestre japonês de xilogravura ukiyo-e Katsushika Hokusai, foi produzida no final o período Edo, quando o Japão ainda estava fechado ao mundo exterior.
Elaborado nos últimos meses de 1831, Hokusai, proveniente de uma origem da classe trabalhadora, enfrentava problemas de saúde, familiares e econômicos. A tiragem da sua série Trinta e seis vistas do Monte Fuji serviria para desafogar de seus problemas.
A xilogravura registra o mar revolto contra o cenário majestoso do Monte Fuji, cujo cume coberto de neve testemunha silenciosamente o drama de três barcos.
Os três barcos simples de pescadores enfrentam uma onda colossal – a força do mar que se aproxima como garras ameaçadoras. A genialidade de Hokusai reside em capturar o movimento e o perigo, mas com seu uso magistral da perspectiva combina a serenidade das cores e do Monte Fuji. As ondas, ora semelhantes à silhueta do próprio Fuji, envolvem os barcos, parecem estar prestes à engoli-los. Em contraste, a montanha-símbolo do Japão e uma imensa nuvem rosada ou bege (depende da impressão e do quanto desbotou) oferecem uma perspectiva de paz no ponto de fuga.
Empregando a técnica ukiyo-e de impressão em madeira, Hokusai faz uso extensivo do pigmento azul escuro azul da Prússia, então uma relativa novidade no isolado Japão. Talvez tenha produzido aproximadamente 8.000 cópias.
O fascínio pela A Grande Onda de Kanagawa de Kanagawa garantiu sua popularidade local e internacional com a abertura do Japão. Junto da moda do japonismo, foi reinterpretada, parodiada e popularizada em massa.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
A teoria da estética como intencionalidade ou a obra de arte dependente da Receção
- Fenomenologia Realista: Ao contrário do seu mestre Husserl, Ingarden acreditava que o mundo exterior existe de forma independente da nossa mente. [1]
- Ontologia (Modos de Ser): Estudou como diferentes coisas existem. Dividiu os objetos em reais (como uma mesa), dependentes (como uma cor) e intencionais (como uma personagem de um livro). Pensa os detalhes na Stanford Encyclopedia of Philosophy. [1, 2]
terça-feira, 1 de setembro de 2026
- Ironia e Quotidiano: A sua poesia usa o humor, a provocação e o calão com um olhar atento e crítico sobre o quotidiano e os seus absurdos. [1, 2]
- "Portugal": Um olhar irónico e afetuoso sobre a identidade e os pequenos detalhes do país.
- "Amigo": Uma reflexão lírica e comovente sobre o verdadeiro significado da amizade.
- "O Beijo": Uma imagem poética vibrante que compara o beijo a uma ave colorida no céu de Lisboa.
- "Poema Pouco Original do Medo": Uma abordagem incisiva sobre as fobias e a realidade social. [1, 2, 3, 4]
O Beijo
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'