https://youtu.be/2DmfJu3oNDM?si=onU6R34SsN7x0kEx
Tchaikovsky : Piano Concerto nº 1
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Tchaikovsky : Piano Concerto nº 1
| Martha Argerich | |
|---|---|
| Nascimento | 5 de junho de 1941 (85 anos) Buenos Aires |
| Residência | Genebra |
| Cidadania | Argentina, Suíça |
| Cônjuge | Chen Liang-Sheng, Charles Dutoit |
| Filho(a)(s) | Lyda Chen-Argerich, Stéphanie Argerich, Annie Dutoit |
| Ocupação | pianista |
| Distinções | |
| Instrumento | piano |

Martha Argerich (Buenos Aires, 5 de junho de 1941) é uma pianista argentina e suíça de ascendência judaica e catalã, considerada um dos maiores exponentes de sua geração e do período pós-guerra. Ainda jovem, ela ganhou vários concursos, incluindo o VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin e o Concurso Internacional de Piano Ferruccio Busoni, e desde então gravou vários álbuns e se apresentou com as principais orquestras do mundo, destacando-se por interpretações memoráveis de Frédéric Chopin, Franz Liszt, Johann Sebastian Bach, Robert Schumann, Maurice Ravel e Serguei Prokofiev.
Nascida na Argentina, seus avós maternos eram imigrantes judeus, provenientes do Império Russo e estabelecidos na Colonia Villa Clara (Província de Entre Ríos), uma das colônias agrícolas criadas pelo barão Maurice de Hirsch e pela Jewish Colonization Association.[1][2] A origem do nome Argerich é catalã (ver Francisco Argerich Batallas ou Francesc Argerich).
No jardim de infância, aos dois anos e oito meses, um colega de cinco anos desafiou-a a tocar piano, e Argerich respondeu replicando uma peça que sua professora acabara de tocar. A professora imediatamente chamou a mãe e ela começou a estudar piano aos três anos.[3]
Aos cinco anos foi encaminhada para o professor Vincenzo Scaramuzza, que enfatizou a importância do lirismo e do sentimento. Argerich fez seu concerto de estreia em 1949, aos oito anos. A família mudou-se para a Europa em 1955, onde Argerich estudou com Friedrich Gulda na Áustria, a quem Argerich descreve como uma de suas maiores influências. Mais tarde, ela estudou com Stefan Askenase e Maria Curcio. Argerich também aproveitou as oportunidades de breves períodos de treinamento com Madeleine Lipatti (viúva de Dinu Lipatti), Abbey Simon e Nikita Magaloff.[4] Em 1957, aos dezesseis anos, ela ganhou o Concurso internacional de execução musical de Genebra e o Concurso Internacional Ferruccio Busoni com três semanas de diferença.
Após esse sucesso inicial, Argerich teve uma crise pessoal e artística, após uma tentativa frustrada de estudar com o pianista italiano Arturo Benedetti Michelangeli[5], que lhe deu apenas quatro aulas no espaço de 18 meses. Ela foi para Nova York na tentativa de conhecer e estudar com seu ídolo, Vladimir Horowitz.[6] Porém os planos não deram certo e ela acabou ficando três anos sem tocar piano deixando sua carreira incerta.[7] Sua retomada ao piano é creditada, por ela mesma, ao encorajamento dado por Anny Askenase, esposa de Stefan Askenase.[8][9]
Argerich também promoveu jovens pianistas em festivais anuais e como membro de júri em competições internacionais. O pianista Ivo Pogorelich, por exemplo, foi lançado aos holofotes em parte devido as ações de Argerich no Concurso Internacional de Piano Chopin de 1980: Depois da dua eliminação na terceira rodada, Argerich o proclamou um gênio e deixou o júri em protesto. Porém, ao final do concurso Argerich não deixou de parabenizar publicamente o vencedor indicado pelo restante do juri.[10] Ela apoiou vários artistas, incluindo Gabriela Montero, Mauricio Vallina, Sergio Tiempo, Roberto Carnevale, Gabriele Baldocci e Christopher Falzone.
A sua aversão à imprensa[11][12] e à publicidade afastou-a das câmeras durante quase toda a sua carreira, tendo dado relativamente poucas entrevistas. Por isso pode ser menos conhecida do "grande público" do que outros artistas de envergadura semelhante. É largamente reconhecida como uma das maiores pianistas virtuosas de seu tempo. Sua interpretação do grande Concerto para Piano nº 3, de Rachmaninoff (Rach 3), é considerada por muitos como "definitiva".
Em 2002, o diretor francês Georges Gachot fez um documentário sobre a pianista - Martha Argerich, conversation nocturne (2003),[13] no qual ela conta suas memórias, faz confidências sobre suas dúvidas e transmite seu apetite pela produção musical.[14]
Um dos seus grandes amigos era o pianista brasileiro Nelson Freire, com quem tocou em duo em vários recitais.[15][16] Argerich também teve uma participação no documentário Nelson Freire (2003), de João Moreira Salles.
Argerich casou-se três vezes: a primeira com o compositor e regente Robert Chen, pai de sua filha mais velha, a violista Lyda Chen. De 1969 a 1973 foi casada com o maestro Charles Dutoit, com quem teve a sua segunda filha, Annie. Também foi casada com o pianista americano Stephen Kovacevich, pai de sua terceira filha, a fotógrafa Stephanie.[17]

FUMAÇA
Podcast de jornalismo de investigação
Quando Ikutaro Kakehashi saiu à rua, não sabia ainda que a história daquela noite seria maior do que a história daquela noite. Na verdade, não tin… Desculpem, este início já foi usado. Meses a editar uma série tem destas coisas. Vejo inícios como o de Fronteira do Medo em todo o lado. Histórias de noites maiores do que histórias dessas noites.
Mas a história da noite de Ikutaro Kakehashi seria, de facto, muito maior do que aquilo que uma breve descrição poderia fazer parecer. Estamos em 1969 e este inventor japonês visita a NAMM, uma das mais importantes feiras de material de som. Na banca da Hammond, o teclista e engenheiro eletrotécnico Don Lewis faz uma demonstração de órgãos. E está acompanhado por uma pequena caixa de ritmos pensada para músicos em sessões descontraídas em casa. Ikutaro Kakehashi conhece bem este equipamento. É uma Ace Tone, da empresa que criara em 1960 para distribuir as suas invenções. Mas este exemplar não soa como de costume. Tem características radicalmente diferentes. Don Lewis tinha aberto a máquina e modificado-a extensivamente. “Como é que fizeste isso?”, pergunta Ikutaro. Três anos depois, os dois criaram a Roland.
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Em 1980, lançaram um grande projeto direcionado a profissionais: a Roland TR-808 (eight-oh-eight), uma inovadora máquina de ritmos. Era o tipo de equipamento que ganhava popularidade por estes dias, mas a um preço exorbitante. Como a Linn LM-1, usada por Michael Jackson, Prince, Peter Gabriel, Stevie Wonder: ajustado à inflação (como todos os preços neste texto), custava qualquer coisa como 15 mil euros. A Roland TR-808 apresentava-se como uma alternativa de “poupança”, a quatro mil euros. E ainda introduzia uma abordagem radicalmente diferente a estas máquinas: em vez de utilizar sons reais para simular uma bateria, criava sons sintetizados, manipuláveis, e com configurações quase infinitas. Era composta por transístores propositadamente avariados para que tivessem um som característico e disruptivo. Tinha possibilidades aparentemente inúteis, como um botão de decay no canal de kick. Parece um pormenor incompreensível para a maioria dos leitores, mas prometo que já ouviste o resultado deste efeito e que não acabas este texto sem perceber que, argumentavelmente, o acrescento deste botão gerou a maior revolução na produção musical das últimas cinco décadas.
Mas o lançamento foi um fiasco. Os críticos consideraram-na um brinquedo inutilizável. Por esta altura, a música electrónica não tinha ainda furado o mainstream e a maioria dos músicos via as máquinas de ritmos apenas como um substituto de baterias reais. Veja-se o caso de Sexual Healing, canção lançada por Marvin Gaye em 1982, que utilizou uma TR-808 pela conveniência de produção. O músico vivia sozinho na Bélgica e o equipamento permitia-lhe compôr e gravar em isolamento. Mas a TR-808 não tinha nenhuma parecença ao som de uma percurssão acústica. Não conseguiu destronar a rival Linn LM-1. Poucos perceberam as suas potencialidades, como osYellow Magic Orchestra, banda pioneira da electrónica, com Ryuichi Sakamoto nos teclados e vozes. Em 1983, 12 mil unidades depois, a Roland descontinuava a sua produção, depois de uma ruptura no fabrico de um tipo de semicondutores.
É aqui que se dá um volte-face difícil de prever. Com o fracasso comercial, lojas de penhores e de artigos em segunda mão encheram-se de exemplares. O preço caiu drasticamente. Era agora possível comprar uma unidade deste equipamento disruptivo e inovador por cerca de 300 euros, já dentro do poder de compra de músicos alternativos, iniciantes, suburbanos, não comerciais.
Começou a desenvolver-se um som underground que apaixonou o produtor Arthur Baker. Quando planeava a produção de uma música com Afrika Bambaataa e Soul Sonic Force em homenagem aos Kraftwerk, leu um anúncio no jornal: “Homem com máquina de ritmos, 20 dólares a sessão”. Pediu ajuda ao dono para programar os ritmos na TR-808 e gravou uma das mais influentes canções da história da música. Planet Rock, uma faixa que reimaginou o que uma máquina de ritmos podia fazer, é considerada a canção criadora da electrónica contemporânea e uma das canções que mais marcou a estética do hip-hop que se desenvolveria nos anos seguintes.
Rick Rubin, talvez o mais mediático produtor de música e autor de livros pseudo-motivacionais para criadores, cedo adoptou a TR-808 nas produções de Beastie Boys, Run DMC e LL Cool J. Foi ele que popularizou um novo som dentro deste universo de sons. Lembras-te do botão de decay no canal de kick de que te falei? Ao rodar este botão, o som de um bombo fica com mais presença e corpo, deixa de ser apenas um “click”. Ao exagerar o efeito, torna-se em algo entre um bombo e um baixo. E se se fizer uso de outro botão logo acima, o de afinação, consegue-se variar a nota desse bombo/baixo, criando um poderoso som melódico grave. Sente-se como um baque no peito – a que chamamos, à falta de melhor expressãotécnica, oomph – e que estimulou um desejo colectivo por frequências graves cada vez mais presentes e definidas. Na gíria, a este novo som, chamou-se 808, o mesmo do modelo da máquina de ritmos. E um 808 sozinho tem tanta importância na cultura musical dos últimos anos como a caixa de ritmos de onde veio.
Depois de um falhanço inicial, a Roland TR-808 tornou-se na máquina de ritmos mais utilizada na história da música gravada. Virtualmente presente em tudo o que é hip-hop e electro, é impossível ouvir os últimos 30 anos de produções de qualquer género musical e não a ouvir recorrentemente(ou os clones que dela se fizeram). Só de artistas comercialmente grandes, a lista de nomes é infindável: dos Talking Heads a Phil Collins, de Whitney Houston a Madonna, de Beck a Damon Albarn, de Outkast a Kendrick Lamar, de Britney Spears a Beyoncé. Mas foi no hip-hop que esta máquina de ritmos encontrou um lugar mais permanente e relevante, onde moldou intrinsecamente a maneira como se faz e ouve este género, criando um movimento cultural tão relevante como a invenção da guitarra eléctrica na música rock. A New Yorker chama-lhe “parte do ADN cultural da América”. O produtor Hank Shocklee, dos Public Enemy, diz que “não é hip-hop se não tiver esse som”. Kanye West dedica-lhe uma carta de amor em forma de álbum, em 808s & Heartbreak, onde usa o equipamento em todas as músicas. Produtores e músicos celebram anualmente o dia do 808, a 8 de agosto (naturalmente). Aos meus ouvidos, é a marca sonora decisiva da canção de intervenção moderna.
Na noite sobre a qual nos debruçamos em Fronteira do Medo, ouvia-se na praça Dr. Fernando Amado African Woman, de DJ Shimza e Mishka, música que começa com um loop de sons da TR-808 que se extende pela canção. Sam the Kid, um dos entrevistados, natural do bairro de Chelas, faz uso de 808 em várias das suas músicas (bem como do Akai MPC, que completa o par de equipamentos essenciais para o hip-hop). A longa lista de rappers que vais ouvir durante esta série, vindos de bairros guetizados, incorpora de alguma forma esta estética no seu som: Allen Halloween, Vado Más Ki Ás, Plutónio, Dealema, Chullage. A banda sonora original que acompanha as narrativas de Pedro Lopes, da sua família e de pessoas de bairros guetizados foi construída à volta dos sons desta caixa de ritmos. Já quando ouves o agente Paulo Gonçalves, os seus colegas da PSP e as perspectivas de outros polícias há um outro género: o rock. A segunda metade desta banda sonora dupla, em espelho – composta com outras máquinas, factos e contextos. Tema para uma outra newsletter.
Este texto não é sobre máquinas de ritmos. É sobre como tudo é político, mesmo que não o saibamos. Sobre como se criam novos jogos escolhendo inverter as regas de um jogo. Sobre como se pode imaginar novos mundos com aquilo que temos à mão. É através deste equipamento falhado comercialmente, usado por quem à partida não teria acesso a ele, abusado para lá das suas limitações, reimaginado por um movimento cultural global vindo dos subúrbios oprimidos estadunidenses, que bairros guetizados se expressam a sua identidade, tornando em norma o que foi um dia tido como marginal. Este texto é sobre como histórias de noites são sempre maiores do que histórias dessas noites.
Fotografia: Steve Harvey/Unsplash
Wassily Kandinsky (1866 — 1944) foi um pintor russo, apontado como um dos grandes artistas do século XX. Precursor no campo da arte abstrata, foi também teórico e professor da Bauhaus, a célebre escola alemã.
Conheça, abaixo, a biografia de Kandinsky resumida através das suas obras mais famosas:

Wassily Kandinsky nasceu no dia 4 de dezembro de 1866, em Moscou. Depois do divórcio dos pais, ainda durante a infância, ele foi viver com uma tia na cidade de Odessa, na Ucrânia. Alguns anos mais tarde, regressou à Rússia, onde estudou Direito e começou a trabalhar na Faculdade de Direito de Moscou.
Em 1896, aos 30 anos, Kandinsky casou com a sua prima, Anna Chimyakina. Foi nessa fase que assistiu a uma exposição de Claude Monet que o influenciou a se dedicar inteiramente à pintura. Na sequência, ele abandonou a sua carreira e começou a criar telas de inspiração pós-impressionista, passando a frequentar a Academia de Belas Artes de Munique.
No quadro O cavaleiro azul, parte da sua produção inicial, já podemos encontrar algumas características que ganhariam força na sua obra, por exemplo, o movimento e o uso de cores vivas. A tela também deu nome ao grupo de pintores expressionistas que o artista fundou, posteriormente, com Franz Marc.

No ano de 1902, o pintor conheceu aquela que viria a ser a sua segunda companheira: Gabriele Münter, uma de suas aulas. Os dois começaram a viver um relacionamento e, algum tempo depois, decidiram morar juntos.
Durante o período que concerne os anos de 1906 a 1908, ele viajou pela Europa, tendo feito uma exposição em Paris, e acabou se fixando com Gabriele na Baviera, Alemanha. Talvez por isso, as obras pintadas por Kandinsky, na época, retratavam várias paisagens e espaços urbanos.
Ele também encontrava inspiração no folclore e na arte tradicional do seu país. Isso se torna visível, por exemplo, na tela Beleza Russa em uma Paisagem, com a figura de uma noiva russa. Com pontos coloridos de vários tamanhos, o vestido na noiva parece se misturar com o cenário; no entanto, a mulher continua sendo o foco do quadro.

Primeira Aquarela Abstrata foi um ponto de viragem, um "divisor de águas", não só na carreira de Kandinsky, mas também na própria História da Arte. Até a esse momento, o pintor estava criando telas com paisagens cada vez menos representativas.
Na sequência dos seus estudos sobre a criação artística, em 1910, surgiu Primeira Aquarela Abstrata, quadro que é apontado como sendo a pintura que inaugurou o abstracionismo na arte ocidental. Contudo, existem dúvidas acerca da sua data, já que alguns estudiosos afirmam que a obra é de 1913.
A partir deste ponto, o pintor russo se dedicou às telas atravessadas por linhas e cores, produzindo arte não figurativa, ou seja, aquela na qual não conseguimos reconhecer elementos da nossa realidade.

As obras abstratas de Kandinsky passaram a ser categorizadas como impressões, composições e improvisações. As primeiras e as últimas eram criações mais imediatas que se baseavam, respectivamente, nas paisagens que o autor via e naquilo que estava sentindo / imaginando.
Por outro lado, as composições eram produto de um trabalho árduo de reflexão acerca dos elementos integrados nas telas e o modo como interagiam entre si. Por exemplo, antes de pintar Composição VII em 3 dias, o artista realizou inúmeros estudos e esboços. O quadro transmite a impressão de movimento, com uma espécie de redemoinho ou furacão quase no centro.
Se afastando das imagens da realidade física, as suas telas procuravam a liberdade que existia na música, relacionando os sons e as cores. Kandinsky também trocou cartas com o compositor musical austríaco Arnold Schönberg, algo que influenciou o seu trabalho.

Repleto de dinamismo, cores, linhas e formas curvas, Fuga foi um quadro produzido num momento importante da trajetória do artista e também do mundo. Em 1914, a Primeira Guerra Mundial estava começando a assolar a Europa e Kandinsky decidiu deixar a Alemanha.
Depois de passar alguns meses na Suíça, ele acabou se separando de Gabriele e regressando à Rússia. Lá, conheceu Nina Andreievskaya e casou novamente; da união nasceu um filho, Vsevolod, que morreu com apenas 3 anos.
Com a Revolução Russa de 1917, chegaram diversas transformações no panorama cultural do país e o pintor passou a trabalhar para o governo de Lenin, tendo sido um dos criadores do Instituto de Cultura Artística, em Moscou.

Apesar da sua participação na vida política russa, as concepções e os preceitos artísticos de Kandinsky não se enquadravam na cultura soviética, que se tornava cada vez mais engajada. Assim, em 1921, o pintor decidiu voltar para a Alemanha.
No ano seguinte, começou a dar aulas de diversas matérias na escola de arte vanguardista Bauhaus. Nessa época, influenciada pela arte avant-garde, a sua produção foi extremamente rica e o seu trabalho se tornou cada vez mais célebre.
Composição VIII é uma obra constituída por formas geométricas entre as quais se destaca o círculo, símbolo da perfeição que viria a se tornar fundamental na pintura do artista.
Através de um jogo de contrastes, a composição dos elementos também pode sugerir uma paisagem, na qual os triângulos seriam montanhas e, no canto superior esquerdo, os círculos representariam o sol.

Em 1924, o pintor criou o grupo Die Blaue Vier, ou Os Quatro Azuis, com três artistas que eram seus contemporâneos, entre os quais se destacou Paul Klee. No ano seguinte, eles viajaram para os Estados Unidos da América, onde realizaram várias exposições e palestras.
As telas que o russo produziu nessa fase exprimiam movimento e liberdade, características próprias da Arte Moderna que vigorava na época. Em Amarelo-Vermelho-Azul, um de seus quadros mais famosos, ele se serve das cores primárias, associando determinados tons e figuras geométricas.
Também é interessante reparar que a pintura se divide em duas metades que sintetizam influências diferentes. O lado esquerdo é dominado por cores vivas e linhas retas, enquanto o esquerdo apresenta cores mais escuras e elementos abstratos.

Com Vários Círculos, o artista continuou empreendendo as suas obras geométricas, agora priorizando as linhas curvas e a figura do círculo, que já estava presente na sua pintura desde Composição VIII e aqui ganhou maior preponderância.
Os círculos de várias cores contrastam com o fundo escuro, e criam uma espécie de cosmos, simbolizando a busca da espiritualidade na pintura. Assim, a composição transmite as ideias de infinito, eternidade, e também as inúmeras possibilidades que existem na criação artística.
Enquanto prosperava na escola de artes e design fundada por Walter Gropius, Kandinsky conseguiu a nacionalidade alemã, no ano de 1928.

Quando o nazismo começou a dominar a Alemanha, os artistas da Bauhaus viraram alvo de perseguição, tendo várias obras roubadas e até destruídas. Em 1933, a escola foi fechada e o pintor precisou abandonar o país.
No ano seguinte, ele realizou uma exposição na Galeria del Milione, em Milão, e se mudou para a França, o seu derradeiro destino, adotando a nacionalidade do país em 1939. A produção artística de Kandinsky, nesta época, se destacou pelas suas cores e texturas, voltando a retratar seres vivos (o chamado estilo biomórfico).
Composição X, a última das suas composições, é considerada uma das telas mais importantes e complexas do artista. Assim como na obra analisada acima, o fundo negro contrasta com as cores vivas e sugere uma imagem cósmica, tendo também ligação a temas relacionados com a espiritualidade.
Embora seja marcada por elementos abstratos, nesta obra conseguimos reconhecer algumas figuras do mundo real como a lua, um balão ou os livros que são representados.

Durante o período que viveu na França, Kandinsky continuou pintando e passou a conviver com grandes artistas da época, como Kasimir Malevich e Piet Mondrian. Os três ficaram conhecidos como o "trio sagrado da abstração".
Em Azul do Céu, obra da sua fase final, são representadas várias figuras biomórficas (podem ser criaturas microscópicas ou pequenos animais), que terão sido inspiradas na tapeçaria francesa. O fundo azul transmite uma atmosfera de harmonia, sonho e até eternidade à obra.
Mesmo enfrentando uma situação financeira difícil, e perante o começo da Segunda Guerra Mundial, o pintor permaneceu no país até ao fim. No dia 13 de dezembro de 1944, o abstracionista morreu em Neuilly-sur-Seine, na França, onde veio a ser sepultado.
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«E a morte não terá domínio» Dylan Thomas
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Como é infinito o universo
onde o amor é uma rosa
plantada nas estrelas furiosas
nos céus onde desfilam monstros alados
dos frutos da nossa imaginação.
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O namoro dos pintassilgos
Agitando os caniçais.
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Toda a infinitude do amor.
(da escuridão brota sempre uma doutrina
que iluminará multidões :
é deste modo que de mundos mortos
Se alimentam os girassóis ).
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Ó sim, o amor é uma pegada na areia,
pois que seja,
Outras pegadas se seguirão.
Nada como um colo macio de perdão.
Os tempos vão e vêm ,
Cavalos livres sobre as pradarias,
lençóis de linho
a secar na relva (lembras-te?), o enternecer dos entardeceres.
Aquele aroma do folar de enchidos
que as nossas avós coziam para a nossa pequenez
(lembras-te?).
Vai e vê
como nações, impérios, costumes, se extinguem
pelo castigo de Sodoma e Gomorra.
Não é o amor que afia espadas, que cala os pássaros,
que ameaça ventos do fim do mundo. Passarão.
Vai e vê
como o amor se repete, sim, nas mãos frágeis das crianças
e no abraço solar dos amantes.
Vai e vê
depois conta-me
como se fosse uma história para adormecer.
Conta-me antes que
um outro se erga das minhas cinzas.
Vai e vê.
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