Heinrich Heine (1797-1856)
Os tecelões da Silésia**
Sem uma lágrima no sombrio olhar,
Ei-los sentados, de dentes cerrados, junto ao tear:
Alemanha, a tua mortalha tecemos à mão,
E nela tecemos três vezes maldição –
Ao tear, ao tear!
Maldição ao ídolo a quem de Inverno
Rezámos com frio e fomes de inferno;
Em vão estivemos à espera e com esperança,
E ele troçou de nós, riu-se da matança –
Ao tear, ao tear!
Maldição ao rei, rei dos ricaços,
Que não abrandaram os nosso cansaços,
Que nos arrancou os últimos vinténs
E nos faz metralhar como a cães –
Ao tear, ao tear!
Maldição à pátria falsa e medonha,
Onde apenas medram o roubo, a vergonha,
Onde cada flor logo em botão se corta,
Onde os vermes se cevam de carne morta!
Ao tear, ao tear!
Voa a lançadeira, estala o tear,
E nós noite e dia a tecer, a suar,
Velha Al’manha, tecemos tua mortalha à mão,
E nela tecemos três vezes maldição.
Ao tear, ao tear!
(Silésia, importante zona industrial da Polónia e da Chéquia. O Poeta Heinrich Heine é, para muitos, o maior poeta de língua alemã, com influência tanto a Ocidente como a Oriente. Escritor ácido nas suas crónicas, socialista, sendo embora mais velho que Karl Marx vinte anos, foi seu amigo e o filósofo que escreveu o "Manifesto" nutriu por ele profunda admiração. A influência de Heine nos escritos políticos de Marx é notória. Este poema aqui partilhado obteve ao tempo uma enorme repercussão e foi um "toque de finados " na poesia lírica romântica alemã vigente.)
sábado, 21 de março de 2026
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário