terça-feira, 1 de setembro de 2026

 

Alexandre O'Neill (1924–1986) foi um dos mais importantes e originais poetas portugueses do século XX, cofundador do Grupo Surrealista de Lisboa. [1, 2, 3]
Estilo e Temas
  • Ironia e Quotidiano: A sua poesia usa o humor, a provocação e o calão com um olhar atento e crítico sobre o quotidiano e os seus absurdos. [1, 2]
  • Jogos de Palavras: Destaca-se pela capacidade única de subverter o sentido comum das palavras e criar slogans memoráveis (como o famoso "Há mar e mar, há ir e voltar"). [1, 2, 3]
  • Lirismo e Ternura: Entre a mordacidade e o absurdo, revela também uma forte sensibilidade humana e afetiva. [1, 2]
Poemas Famosos
  • "Portugal": Um olhar irónico e afetuoso sobre a identidade e os pequenos detalhes do país.
  • "Amigo": Uma reflexão lírica e comovente sobre o verdadeiro significado da amizade.
  • "O Beijo": Uma imagem poética vibrante que compara o beijo a uma ave colorida no céu de Lisboa.
  • "Poema Pouco Original do Medo": Uma abordagem incisiva sobre as fobias e a realidade social. [1, 2, 3, 4]

    O Beijo

    Congresso de gaivotas neste céu
    Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
    Querela de aves, pios, escarcéu.
    Ainda palpitante voa um beijo.

    Donde teria vindo! (Não é meu...)
    De algum quarto perdido no desejo?
    De algum jovem amor que recebeu
    Mandado de captura ou de despejo?

    É uma ave estranha: colorida,
    Vai batendo como a própria vida,
    Um coração vermelho pelo ar.

    E é a força sem fim de duas bocas,
    De duas bocas que se juntam, loucas!
    De inveja as gaivotas a gritar...

    Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'