Henri Cartier-Bresson (o artista da obra fotográfica) foi pintor antes de ser fotógrafo e é quase certo que conhecia o artista Edward Hopper e soube ver naquele instante, quando a sua mulher estava inclinada para fora da janela, as semelhanças de luz, sombras e mobiliário com os capturados pelo pintor em 1926.
As duas fotografias estão separadas por 60 anos, mas ao contemplá-las a sensação e as vibrações que transmitem de solidão e reflexão são praticamente as mesmas.
Vemos a genialidade artística quando uma obra-prima é singela ao ponto de transcender a sua época. A Grande Onda de Kanagawa é uma obra que capta o atemporal. Seu impacto e estética a faz uma das ilustrações mais reproduzidas no mundo.
Uma obra do lendário mestre japonês de xilogravura ukiyo-e Katsushika Hokusai, foi produzida no final o período Edo, quando o Japão ainda estava fechado ao mundo exterior.
Elaborado nos últimos meses de 1831, Hokusai, proveniente de uma origem da classe trabalhadora, enfrentava problemas de saúde, familiares e econômicos. A tiragem da sua série Trinta e seis vistas do Monte Fuji serviria para desafogar de seus problemas.
A xilogravura registra o mar revolto contra o cenário majestoso do Monte Fuji, cujo cume coberto de neve testemunha silenciosamente o drama de três barcos.
Os três barcos simples de pescadores enfrentam uma onda colossal – a força do mar que se aproxima como garras ameaçadoras. A genialidade de Hokusai reside em capturar o movimento e o perigo, mas com seu uso magistral da perspectiva combina a serenidade das cores e do Monte Fuji. As ondas, ora semelhantes à silhueta do próprio Fuji, envolvem os barcos, parecem estar prestes à engoli-los. Em contraste, a montanha-símbolo do Japão e uma imensa nuvem rosada ou bege (depende da impressão e do quanto desbotou) oferecem uma perspectiva de paz no ponto de fuga.
Empregando a técnica ukiyo-e de impressão em madeira, Hokusai faz uso extensivo do pigmento azul escuro azul da Prússia, então uma relativa novidade no isolado Japão. Talvez tenha produzido aproximadamente 8.000 cópias.
O fascínio pela A Grande Onda de Kanagawa de Kanagawa garantiu sua popularidade local e internacional com a abertura do Japão. Junto da moda do japonismo, foi reinterpretada, parodiada e popularizada em massa.
Roman Ingarden foi um filósofo e esteta polaco que se destacou pelo seu trabalho na fenomenologia e na ontologia. [1]
Nasceu em Cracóvia em 1893 e faleceu em 1970. Ele estudou com o famoso filósofo Edmund Husserl, mas criou o seu próprio caminho no realismo filosófico. Podes ler mais sobre a sua vida na Roman Ingarden – Wikipédia. [1, 2]
Principais Áreas de Estudo
Ingarden dedicou a sua vida a compreender como o mundo e a arte funcionam. As suas ideias dividem-se em três partes principais:
Fenomenologia Realista: Ao contrário do seu mestre Husserl, Ingarden acreditava que o mundo exterior existe de forma independente da nossa mente. [1]
Ontologia (Modos de Ser): Estudou como diferentes coisas existem. Dividiu os objetos em reais (como uma mesa), dependentes (como uma cor) e intencionais (como uma personagem de um livro). Pensa os detalhes na Stanford Encyclopedia of Philosophy. [1, 2]
Estética e Arte: Analisou como as obras de arte funcionam em várias camadas. É considerado um dos percussores da estética da receção, que estuda o papel de quem lê ou observa a arte. [1, 2]
Legado na Literatura
Ingarden defendeu que uma obra literária não é apenas o livro físico nem apenas o que o autor pensa. Ela ganha vida através da leitura e da interpretação de cada pessoa. Consulta a análise completa na Britannica.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Alexandre O'Neill (1924–1986) foi um dos mais importantes e originais poetas portugueses do século XX, cofundador do Grupo Surrealista de Lisboa. [1, 2, 3]
Estilo e Temas
Ironia e Quotidiano: A sua poesia usa o humor, a provocação e o calão com um olhar atento e crítico sobre o quotidiano e os seus absurdos. [1, 2]
Jogos de Palavras: Destaca-se pela capacidade única de subverter o sentido comum das palavras e criar slogans memoráveis (como o famoso "Há mar e mar, há ir e voltar"). [1, 2, 3]
Lirismo e Ternura: Entre a mordacidade e o absurdo, revela também uma forte sensibilidade humana e afetiva. [1, 2]
Poemas Famosos
"Portugal": Um olhar irónico e afetuoso sobre a identidade e os pequenos detalhes do país.
"Amigo": Uma reflexão lírica e comovente sobre o verdadeiro significado da amizade.
"O Beijo": Uma imagem poética vibrante que compara o beijo a uma ave colorida no céu de Lisboa.
"Poema Pouco Original do Medo": Uma abordagem incisiva sobre as fobias e a realidade social. [1, 2, 3, 4]
O Beijo
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...