sexta-feira, 14 de agosto de 2026

 Vai e vê
«E a morte não terá domínio» Dylan Thomas

Vai e vê
Como é infinito o universo
onde o amor é uma rosa
plantada nas estrelas furiosas
nos céus onde desfilam monstros alados
dos frutos da nossa imaginação.
Vai e vê
O namoro dos pintassilgos
Agitando os caniçais.
Vai e vê
Toda a infinitude do amor.
(da escuridão brota sempre uma doutrina
que iluminará multidões :
é deste modo que de mundos mortos
Se alimentam os girassóis ).
Vai e vê
Ó sim, o amor é uma pegada na areia,
pois que seja,
Outras pegadas se seguirão.
Nada como um colo macio de perdão.
Os tempos vão e vêm ,
Cavalos livres sobre as pradarias,
lençóis de linho
a secar na relva (lembras-te?), o enternecer dos entardeceres.
Aquele aroma do folar de enchidos
que as nossas avós coziam para a nossa pequenez
(lembras-te?).
Vai e vê
como nações, impérios, costumes, se extinguem
pelo castigo de Sodoma e Gomorra.
Não é o amor que afia espadas, que cala os pássaros,
que ameaça ventos do fim do mundo. Passarão.
Vai e vê
como o amor se repete, sim, nas mãos frágeis das crianças
e no abraço solar dos amantes.
Vai e vê
depois conta-me
como se fosse uma história para adormecer.
Conta-me antes que
um outro se erga das minhas cinzas.
Vai e vê.
----------------N. P.-------------------------2026