sexta-feira, 5 de março de 2010

MARC CHAGALL

Enquanto é tempo


Quando a morte chegar
                   sem aviso
não terei tempo
                   para te dizer
que não fui a tempo
                   de te dizer
a palavra exacta
                   redonda
a palavra das palavras

Desperdicei o tempo
                   das palavras maduras
pendentes da língua
                   quando o tempo
era só nosso.

Tanto sono, tanto silêncio,
                   quando depressa se escoava o tempo.

Calo-me
            já passou o tempo.

5 comentários:

Meg disse...

Zé,

Há palavras que são uma constante nos teus poemas, nos teus escritos...
O tempo só passa quando o deixamos passar.
Muito belo mas... triste.

Beijo

bettips disse...

Pode fazer-se um vôo sobre o tempo
das palavras?
e passar à paisagem, a real?
descrever o mundo,
acompanhado,
num lançar de pássaro...
Gostei da (triste) imagem do tempo que passa.

José Augusto Nozes Pires disse...

Obrigado à Meg e a bettips. Pode fazer-se do tempo um pássaro sobre a paisagem e verificar que nada permanece e que nunca chegamos a tempo.

JPD disse...

Poema fantástico com uma ilustração perfeita.

Parabéns.

Saudações

José Augusto Nozes Pires disse...

Obrigado caro JPD.