terça-feira, 20 de junho de 2017

Claude Monet

Mestre em Artes Visuais (UDESC, 2010)
Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica (UFSM, 2008)
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Claude Monet é o principal e mais dedicado representante do movimento Impressionista. Sempre preferiu a pintura ao ar livre, não importando as condições climáticas, com a finalidade de capturar todos os efeitos da natureza. No início de sua carreira foi incompreendido, especialmente por sua família, resultando em dificuldades financeiras por anos. Somente por volta dos 40 anos de idade começou a vender seus quadros, morreu como um artista rico e consagrado.
Claude Monet, em 1899. Foto de Nadar (Gaspard-Félix Tournachon). / via Wikimedia Commons
Claude Monet, em 1899. Foto de Nadar (Gaspard-Félix Tournachon). / via Wikimedia Commons
Monet nasceu em Paris em 14 de novembro de 1840 e aos cinco anos mudou-se para Havre. Começou a pintar desde muito jovem o que lhe rendeu algum dinheiro vendendo caricaturas, com o dinheiro comprava materiais de pintura. Em 1858 conheceu Eugène Boudin, um pintor de paisagens que o encorajou a pintar ao ar livre. No ano seguinte mudou-se para Paris a fim de especializar suas técnicas. Nessa época Paris atraia os mais variados artistas do mundo e lá Monet conheceu Camille Pissarro e Manet entre outros artistas de vanguarda. Contrário ao desejo da família, Monet recusou-se a frequentar a Escola de Belas-Artes preferindo estudar no Atelier de Suisse, uma escola de postura mais livre que não adotava ensino formal. Assim Monet poderia dedicar-se ao que mais gostava a pintura ao ar livre. No entanto essa atitude lhe rendeu o corte de sua mesada, resultando em sérias complicações financeiras.
Nos anos que se seguiram Monet conheceu Camille Doncieux com que viria a ter dois filhos, Jean e Michel. Em 1879 Camille morreu de tuberculose.
Em 1861 foi convocado para servir o exército e defender a França na guerra. Após quase um ano na Argélia, Monet volta à França e retoma seus estudos ao ar livre, passando a estudar com Charles Gleyre. Em 1866, Monet expôs o retrato de Camille Doncieux em um Salão.
Em 1874 foi realizada em Paris a primeira exposição dos impressionistas, contando com obras de Monet, Renoir, Degas e Cézanne. O termo Impressionismo, deriva do quadro de Monet chamado Impressão, sol levante (1872). Em função da exposição um jornalista da época Louis Leroy atacou a obra de Monet num artigo intitulado “Exibição dos impressionistas” para o jornal Le Charivari.
Em 1880 Monet realiza sua primeira exposição individual, que foi um sucesso. O público começava a ver com bons olhos as pinturas impressionistas.
Monet passou por sérias dificuldades financeiras, porém tinha um fiel comprador de suas obras, o milionário Ernest Hoschedé. Anos mais tarde Monet viria a casar com a esposa do seu comprador, Alice Hoschedé, após ambos ficarem viúvos.
Em 1883 Monet mudou para Giverny e em 1892 casou-se com Alice, estabelecendo-se numa grande propriedade as margens do rio. Monet continuava seus estudos impressionistas e na década de 1890 pintou uma série da Catedral de Rouen em diferentes horários e pontos de vista, desde o amanhecer até o anoitecer. O jardim de sua residência em Giverny também foi inspiração para uma série de obras chamada Ninfeias.
Um dos pilares da pintura impressionista era retratar o que a mente concebe da paisagem em detrimento ao que olho humano vê. Nesse sentido Monet desenvolveu técnicas que o ajudariam a representar essa realidade. Usando pinceladas firmes e fragmentadas, por exemplo, Monet retratava a ondulação e os reflexos da água com genialidade.
No fim de sua vida Claude Monet sofreu com catarata o que afetou seu entusiasmo para continuar seus estudos. Monet morreu em 1926 e encontra-se enterrado no cemitério da igreja de Giverny.
Referências bibliográficas:
O mais dedicado impressionista. Disponível em: < http://mestres.folha.com.br/pintores/04/ >.
Os Grandes Artistas – romantismo e impressionismo: Degas, Toulouse-Lautrec, Monet. Editora Nova Cultura LTDA, São Paulo, 1991.

MONET

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sábado, 17 de junho de 2017

Das Artes.blogspot.com
 
Joseph Mallord William Turner, nasceu em Londres no ano de 1775 e foi um dos mais bem-sucedidos artistas do século 19. Desde garoto demonstrou inclinação à pintura fazendo desenhos que seu pai expunha na vitrina de sua barbearia. Já aos 12 anos como aprendiz do gravador John R. Smith, coloria gravuras obtendo noções de perspectiva e aquarela. Seu enorme talento abriu-lhe as portas da Royal Academy (1789), para se aperfeiçoar.

Aos 20 anos foi contratado por uma revista – Copper Plate Magazine – para fazer ilustrações. Seu trabalho consistia em viajar pelo interior da Inglaterra, retratando velhos castelos, abadias, catedrais e paisagens. Revelou-se excelente aquarelista, preocupado, sobretudo, com os efeitos de luz. 

Apesar do processo de urbanização da Inglaterra, consequência da Revolução Industrial, Turner continuou fiel às paisagens, característica que o consagrou como um dos últimos românticos ingleses. Em 1796, quando expôs suas primeiras paisagens a óleo, foi recebido com sucesso. Em 1799 foi eleito membro da Royal Academy. O sucesso deu-lhe condições para viajar à França e à Suíça, pintando paisagens locais.
Em 1804, construiu atrás de sua casa, na Harley Street uma galeria para expôr permanentemente suas obras, transferindo-a, depois, para a Queen Ann Street. Em 1804 foi nomeado professor da Royal Academy.

IMPRESSIONISTA

Trabalhava sempre seus esboços ao ar livre, mas coloria em casa, confiando em sua memória e valendo-se de anotações valiosas. Foi em 1819 que fez uma longa viagem pela Itália, quando se familiarizou com as obras de Canaletto. Dessa viagem surgiu uma nova fase, que se prolongou até 1840: a obsessão pela luz tomou conta de suas telas.

Turner não só mostrava apenas os detalhes do local em que retratava, mas em descrever as condições atmosféricas e como elas modificavam as cenas, causando impacto emocional no espectador.

Passou a pintar muito as marinhas ou paisagens com muita água, onde a luz podia se refletir. Mal compreendido pelos seus conterrâneos foi chamado de  O pintor do branco. É dessa fase a obra  Fragata Téméraire (1839), retratada no momento em que era rebocada. 

Nessa tela, ela é de cor prata, sobre um fundo de pôr de sol e com a imensidão do mar refletindo a cena. Porém a obra foi considerada vistosa, mas sem valor.
Solteirão, transferiu-se para Chelsea, sob o nome falso de Mr Booth, afim de afastar os inoportunos. Os vizinhos julgavam-no um velho marinheiro aposentado e meio louco. 

Suas telas passaram a se constituir de vibrações de luz e movimento; pintava cataclismos cósmicos e passou a interessar-se pelo conflito dos elementos. Os contemporâneos não o compreenderam, mas para os impressionistas era um mestre, que passava a impressão instantânea registrada pela retina.

O escritor e crítico de arte John Ruskin o defendeu quando seus conterrâneos só viam o negativo em suas obras. Em Os Pintores Modernos, obra publicada em 1843, Ruskin descreve:

A tempestade de neve como uma das maiores afirmações do movimento do mar, da névoa e da luz que jamais foram retratadas numa tela.

Morreu em Londres, em 1851, deixando ao patrimônio nacional toda a sua obra: cem telas acabadas, 182 inacabadas e mais de 19.000 desenhos e aquarelas. Para compor essa coleção chegou a recusar vultosas somas, pois achava sua obra muito importante para ficar em mãos particulares. Considerava-se um patrimônio artístico. Sempre que podia comprava trabalhos que vendera quando jovem, para legá-los à Nação.

Seu grande mestre, sua maior inspiração foi Claude Lorrain. Ao deixar suas obras à Nação, exigiu que em seu testamento duas de suas obras fossem sempre expostas ao lado de duas obras de Claude Lorrain.

Ficou visto como o grande compositor plástico da luz, do espaço, do vento e dos segredos. Entendia a linguagem secreta das tempestades e das ondas. Falava com o mar e com as nuvens. Calmarias, geadas, vendavais, nevascas, tudo se transformava de uma forma visionária, com contornos imprecisos dentro da imensidão dos espaços abertos, dos turbilhões da natureza. Nele a figura humana desaparecia.

Segundo sua vontade foi sepultado na Catedral de Saint Paul, ao lado de Sir Joshua Reynolds.

TURNER - O lamento do cão pela morte do dono no naufrágio -aguarela

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sábado, 3 de junho de 2017

O cerco de Leninegrado, Chostakovich, e a reescrita da história

Jenny Farrell    03.Jun.17    Outros autores
Sobe de tom a agressividade da NATO, que avança em direcção ao leste da Europa e instala no terreno um dispositivo militar com condições para desencadear uma acção de guerra de grande escala. Este texto recorda o horror da agressão nazi à URSS e o papel que não apenas o povo em armas mas também a cultura e a arte desempenharam na derrota do nazi-fascismo. A memória histórica dos povos é uma arma em defesa da paz.
A guerra-fria contra a Rússia – e anteriormente contra a União Soviética – continua. Inclui o apagamento da memória pública das muitas atrocidades cometidas pela Alemanha nazi sobre a população soviética e o heróico papel assumido por esta na derrota do fascismo.
Em 22 de Junho de 1941 a Alemanha invadiu a União Soviética. Daí resultou uma mortandade com proporções de holocausto: pereceram 25 milhões de soviéticos, mais de metade do total de mortos na Segunda Guerra Mundial.
Um dos mais horríveis actos de barbárie foi o bloqueio de Leninegrado pelos alemães. Por mais de 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944, foram cortados todos os abastecimentos e o povo de Leninegrado foi sistematicamente condenado a morrer à fome. Morreu mais de um milhão de cidadãos de Leninegrado.
Avançamos rapidamente até Abril de 2017, quando um fatal ataque terrorista (realizado por grupos mais do que por Estados) tem lugar em S. Petersburgo (Leninegrado). Depois de ataques semelhantes em cidades da Europa Ocidental, e como expressão de solidariedade, a bandeira nacional alemã fora projectada sobre a porta de Brandeburgo, em Berlim. Mas desta vez isso não foi feito porque, segundo o presidente da câmara – nascido em Berlim Leste – S. Petersburgo não tem qualquer “relação especial” com Berlim. É possível que o branqueamento da história tenha feito com que nunca tivesse ouvido falar de Leninegrado.
O cerco de Leninegrado foi registado não apenas em livros mas também em música. O compositor Dmitri Chostakovich residia na altura em Leninegrado. Começou a trabalhar numa sinfonia imediatamente após o início do ataque, exprimindo as suas ideias sobre a vida soviética e sobre a capacidade do seu povo para derrotar os fascistas. É a sua Sétima Sinfonia, conhecida como Leninegrado.
Tem quatro andamentos. O primeiro é intitulado “Guerra” e inicia-se com música de carácter lírico descrevendo a pacífica vida na URSS antes da invasão fascista. Um solo de violino é interrompido pelo ressoar de um tambor distante e pelo “tema da invasão”, que é repetido doze vezes por um número crescente de instrumentos, aumentando sempre em volume e em estridência, criando um profundo sentimento de mal-estar. Tambores militares ritmam esta secção, que termina com um clamor de sofrimento e horror. Segue-se uma passagem mais calma – um solo de flauta, depois um fagote, chorando os mortos. O acompanhamento é fragmentado, exprimindo o lamento pela gente abatida. Dominam as dissonâncias.
No segundo andamento, “Memórias”, o ambiente muda para tempos mais felizes, algumas melodias de dança, embora uma nota de tristeza esteja também presente.
A música do terceiro andamento, “Largas extensões da nossa terra”, afirma o heroísmo do povo, o seu humanismo, e a grande beleza natural da terra russa. O andamento é um diálogo entre um coral, exprimindo a satisfação gerada pelo esplendor da terra pátria, e a voz solista, os violinos, exprimindo o tormento individua. Tanto o segundo como o terceiro andamento exprimem a convicção de Chostakovich de que “a guerra não destrói necessariamente os valores culturais.”
Chostakovich comentou acerca do andamento final, “Vitória”: “A minha ideia de vitória não é a de algo brutal; será melhor explicada como a vitória da luz sobre as trevas, da humanidade sobre a barbárie, da razão sobre a reacção.” O andamento inicia-se descrevendo, musicalmente, as pessoas trabalhando em tempo de paz, cheio de esperança e de felicidade, a que os tambores e armas de guerra se vão sobrepondo. A música marcha, luta, e resiste.
A vitória não chega facilmente. Chostakovich começa com o ressoar dos tímpanos que concluiu o terceiro andamento e acrescenta-lhe gradualmente outras vozes. A música evolui lentamente em direcção à sua conclusão, com fanfarras dos metais e o estrondo dos címbalos. Força o seu caminho até um brilhante dó maior – a tonalidade da vitória. Todavia, os acordes finais desta magnífica tonalidade contêm um som dolorido. O reconhecimento pleno da realidade, o inimaginável sofrimento da guerra, não permite que a sinfonia termine em simples triunfo.
Chostakovich compôs a maior parte da sinfonia na Leninegrado cercada. Vários meses após o início do bloqueio, e apesar das objecções que colocou, o governo soviético evacuou a família Chostakovich juntamente com outros artistas.
A Sinfonia Leninegrado foi tocada a 9 de Agosto de 1942 na sua cidade natal cercada. A partitura foi transportada por via aérea sobre as linhas nazis. A orquestra tinha apenas quinze músicos, mas foram traduzidos mais da frente de combate.
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A fotografia que ilustra este artigo é dessa ocasião.
Uma clarinetista que interveio nesta interpretação histórica, Galina Lelyukhina, recordou os ensaios: “Disseram na rádio que todos os músicos sobreviventes estavam convidados. Era muito difícil andar. Eu estava doente com escorbuto e doíam-me muito as pernas. A princípio éramos nove, mas depois chegaram mais. O maestro, Eliasberg, foi trazido de trenó, porque estava muito enfraquecido pela fome.”
A 9 de Agosto de 1942 a sala de espectáculos estava repleta, com as portas e janelas abertas para que os que estavam fora pudessem ouvir. A música foi transmitida por altifalantes nas ruas e na frente de combate, de forma a inspirar a nação inteira. O Exército Vermelho preveniu os planos alemães para impedir o acontecimento bombardeando antecipadamente o inimigo para assegurar as duas horas de silêncio necessárias para o concerto.
Uma sobrevivente do bloqueio, Irina Skripacheva, recorda: “Esta sinfonia teve em nó um enorme impacto. O ritmo induzia um sentimento de elevação, de voo…Ao mesmo tempo sentíamos o ritmo assustador das hordas alemãs. Foi inesquecível e esmagador.”
Setenta e cinco anos depois, tanques e tropas da NATO (alemãs incluídas), instaladas ao longo da fronteira ocidental da Rússia, preparam-se para a guerra.
■ A Sétima Sinfonia de Chostakovich, Leningrado, está disponível em Youtube.
Fonte: http://www.communistpartyofireland.ie/sv/10-leningrad.html

in ODiario.info

quinta-feira, 1 de junho de 2017

W.C.

Neste país onde ninguém sabe
como obram as musas,
já dizia o outro,
fazer versos realmente versos,
que sigam o espasmo do ânus provecto
dessas criaturas fúteis, decantadas,
ainda é e será muito difícil.

Existe sempre um braço etéreo
que puxa o autoclismo
no momento exacto da defecação.
Ouve-se um ruído,
alguém pergunta ao outro o que se passa:
«É o som das águas que bate na garganta.»
Aliviados então os corações repousam
na sala de visitas da casa devassada
a que chamam d'alma.

Armando Silva Carvalho, in 'Sentimento de um Acidental'

Morreu o poeta Armando Silva Carvalho

O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho morreu hoje de manhã, nas instalações da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, vítima de doença prolongada, anunciou, em comunicado, a Porto Editora.