terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Homem que outrora fui...




«Tel j'étais autrefois et tel je suis encore.»
André Clienier


O homem que outrora fui, o mesmo ainda o serei:
leviano, ardente. Em vão, amigos meus, eu sei,
de mim se espere que eu possa contemplar o belo
sem um tremor secreto, um ansioso anelo.
O amor não me traiu ou torturou bastante?
Nas citereias redes qual falcão aflante
não me debati já, tantas vezes cativo?
Relapso, porém, a tudo eu sobrevivo
e à nova estátua trago a mesma antiga oferenda...


Aleksandr Pushkin

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1 comentário:

José Augusto Nozes Pires disse...

Ah, Pushkin! que bem fizeste em lembrar um dos pais da grande, muito grande, literatura russa!Talvez Gogol o primeiro, Pushkin a seguir (ele mesmo prestou homenagem a Nicolau Gogol como sendo o primeiro).